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ECMO na Insuficiência Respiratória Aguda por Aspiração de Mecônio.
Quinta-feira - 16 Fevereiro, 2017
A aspiração de mecônio é a causa mais frequente de insuficiência respiratória aguda no período neonatal. A maioria dos neonatos que apresentam dificuldades respiratórias em consequência da aspiração de mecônio responde satisfatoriamente ao tratamento convencional, que consiste essencialmente nas diversas modalidades de ventilação controlada por respiradores mecânicos com misturas gasosas ricas em oxigênio.

Os principais aspectos da terapia da insuficiência respiratória aguda do recém nascido repousam nos seguintes pilares:

1. Prevenir a hipóxia e a acidose, para permitir a manutenção do metabolismo normal dos tecidos, otimizar a produção de surfactante e prevenir o shunt pulmonar da direita para a esquerda.
2. Otimizar a administração de líquidos e o balanço hidroeletrolítico, para evitar o desenvolvimento de hipovolemia e choque e, ao mesmo tempo, evitar a produção de edema, particularmente de edema pulmonar.
3. Reduzir as necessidades metabólicas.
4. Prevenir a progressão das atelectasias e do edema pulmonar.
5. Minimizar a injúria pulmonar oxidativa, e
6. Minimizar a injúria pulmonar causada pela ventilação mecânica.

A terapia de substituição do surfactante natural é uma das terapias mais bem estudadas nas circunstâncias em que se encontram os recém natos com insuficiência respiratória aguda. O surfactante é instilado através do tubo traqueal, logo após alguns minutos do momento do nascimento, como uma medida profilática ou, logo após o aparecimento dos primeiros sintomas de insuficiência respiratória. Alguns autores acreditam que a administração do surfactante antes das duas primeiras horas de vida parece capaz de oferecer melhores resultados.

Os surfactantes de origem humana, bovina, porcina ou os surfactantes obtidos através de preparações sintéticas tem sido usados com graus variaveis de sucesso. Muitos autores que estudaram a terapia de substituição do surfactante natural por produtos exógenos relataram melhoras na oxigenação e na redução do tempo de uso dos respiradores mecânicos. O surfactante é administrado na dose média de 100mg de fosfolipídeos/kg de peso, durante curtos períodos de desconexão do tubo endotraqueal, para instilação do produto. As doses exatas recomendadas dependem do tipo de surfactante a ser usado devido à quantidade de lipídios que contêm. Logo após a instilação do produto, o neonato é mobilizado cuidadosamente, com o objetivo de distribuir o surfactante por todos os lobos e lóbulos de ambos os pulmões. Um período de hiperventilação manual capaz de causar apnéia é útil antes da administração do surfactante. Quando necessário, as doses de surfactante podem ser repetidas após 12 horas.

A resposta ao surfactante é individual. O grau de melhora varia em cada neonato. A complicação mais temida do emprego do surfactante é a hemorragia pulmonar. Essa ocorrência é mais frequente nos bebês de muito baixo peso, no sexo masculino e nos neonatos com evidência de patência do ductus arteriosus.

As demais medidas visam evitar as infecções, manter o estado nutricional e os cuidados gerais inerentes aos pacientes graves em regime de terapia intensiva.

Quando, apesar de todos os cuidados empregados, a insuficiência respiratória progride e ameaça a vida do neonato, se os critérios para a assistência pela ECMO estiverem presentes, a equipe de ECMO assume o caso e inicia os preparativos para a instalação da assistência extracorpórea.
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